O Eterno Rio que Corre

Por: Araquém Alcântara

Michio Hoshino foi um fotógrafo japonês que ficou conhecido por suas fotos de ursos e outros animais selvagens.
Ele morreu tragicamente em 1996, devorado por um urso pardo na península de Kamchjatka, leste da Rússia.
Hoshino me ensinou que cada um de nós é uma expressão da Terra.
Somos diferentes de outras espécies, mas no fundo somos todos um.
Para a natureza não importa quem vive e quem morre, tudo é um constante nascer e morrer e renascer.
Somos todos um tecido delicadíssimo e frágil que compõe o corpo de Gaia.
Assim como Hoshino, o meu privilegio é conviver com o primitivo, o intocado.
As coisas em estado puro, sem a interferência humana. A vida pulsando numa outra escala do tempo.
Na mata o tempo só existe em relação à eternidade. Lá está a beleza mais eloquente, o mistério de toda criação.
Fotógrafo da natureza precisa ser poeta, humanista.
Sabe que o espírito criador está nos detalhes, nas coisas simples, no caráter de seu povo.
Precisa da aventura para se conhecer, precisa da adversidade para celebrar
Ao contemplar a beleza, cresce como ser humano.
Quanto mais rompe mato, menos sossega. Quanto mais amplia a sua área de consciência e percepção, mais aprende a ver.
E quando vê, transvê.
Sua recompensa é um raro e indefinido prazer. Um frêmito de iluminação.
Tudo flui, tudo se congrega, tudo se transforma em serenidade. Hoshino e todos os cantadores da vida são um eterno rio que corre.

One thought on “O Eterno Rio que Corre

  1. Paulo Cunha

    Que maravilha de síntese meu querido amigo
    Só quem se energisa e se recompõe estando em estado de comunhão com a mata sabe das verdades divinas
    Que bom estarmos juntos á contemplar e agradecer este estado único e divino de ver a vida é celebrar o divino
    Evoé

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