Crônica da Beleza e do Extermínio

Minha fotografia é a crônica da beleza e do extermínio. Um canto de amor à natureza e ao povo brasileiro que parte das aldeias, dos rincões, das periferias, dos fundo das indústrias, dos porões.  

Meu modo mais precioso de gritar por justiça, de proclamar cumplicidade aos derrotados, os enxotados, os que não têm voz e que são dizimados silenciosamente: indígenas, caboclos, sertanejos, favelados, negros… 

Meu modo mais precioso de revelar a estupidez humana na sua eterna obsessão de criar desertos. Minhas fotos mostram um país continental, com mais de 210 milhões de habitantes, dono da maior biodiversidade do mundo, mas que caminha a passos largos para a desertificação dos seus ecossistemas. O destino da maior floresta tropical da Terra, agora mais do que nunca, depende da opinião pública mundial.

É hora de entender, acima de todas as ideologias e partidos, que só um engajamento de muitos países pode mudar o curso do desastre eminente. O grande antropólogo Darcy Ribeiro já nos alertou há tempos que não devemos duvidar da capacidade destrutiva de grileiros, garimpeiros, madeireiros…

O Brasil conseguiu, em alguns séculos, liquidar com a Floresta Atlântica, que cobria mais de 8 mil quilômetros de extensão ao longo da costa. É, portanto, perfeitamente possível arrasar com o “mundo imenso de verdor” que é a Floresta Amazônica. E isso é um holocausto, um crime de lesa humanidade, uma carnificina, com consequências gravíssimas não só para o Brasil mas para toda a Terra.

A importância da Amazônia não encontra eco na consciência dos brasileiros. Não perceberam ainda que a maior riqueza que o país tem é esse grandioso patrimônio biológico. 

Os políticos não conhecem a floresta, não têm consciência de nação, estão trancados em gabinetes e em sua ignorância. Entra governo e, sai governo e a hipocrisia permanece. 

Por que não dizemos basta a tanta destruição e desrespeito aos povos da floresta? Por que permitimos  que os governos ignorem a ganância dos senhores de terras, em nome de um falso progresso que só enriquece uma minoria. Por que permitimos que séculos de maravilhosa construção, sejam destroçados em alguns minutos? Sou testemunha ocular dessa barbárie porque fotografo a natureza deste país há meio século.

A maior floresta tropical do mundo está em perigo e exige um grande esforço de todos nós.Minha fotografia clama por indignação, resistência e atitude.

One thought on “Crônica da Beleza e do Extermínio

  1. Roni

    Minha fotografia é a um canto de amor à natureza!
    Minha fotografia é um canto de amor ao povo brasileiro!

    Araquém Alcântara

    Responder

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